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“Nossas intervenções estão a trazer muitos benefícios aos produtores”

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- Alberto Luis, Oficial de Agricultura e Segurança Alimentar da ABIODES, em Grande Entrevista ao Boletim Informativo.

A Associação Para Desenvolvimento Sustentável (ABIODES) é umaorganização não governamental que atua nas áreas de Agricultura e Segurança Alimentar, Ambiente e Recursos Naturais e Lobby e Advocacia para Desenvolvimento Sustentável, há mais de 20 anos. É umareferência quando se fala deagro-ecologiano país. Neste contexto, a equipa editorial do Boletim Informativo da ABIODES entrevistou o Oficial de Agricultura e Segurança Alimentar, Alberto Luís, sobre questões ligadas a Agricultura Urbana, a Certificação de Produtos Orgânicos e a Mitigação de Salinidade de Solos, temas que foram bastante evidenciados nas actividades desta instituição, ao longo do semestre passado.Na entrevista, Luís aborda, com detalhe, sobre os principais projetos nos quais a ABIODES está integrado e explica alguns aspectos sobre a Agro-ecologia com destaque para mitigação da salinidade de solos, para além de apresentar uma radiografia sobre os efeitos da COVID 19 no desenvolvimento agrícola, em geral, e no funcionamento da instituição, em particular.

Boletim Informativo (BI) - Uma das marcas da ABIODES tem sido a sua participação ativa no processo de concepção do Plano de Agricultura Urbana. Comecemos mesmo por aí. A questão é: o que é Agricultura Urbana e como ela surge em Moçambique e no mundo?

Alberto Luís (AL) - Primeiro, devo explicar que a agricultura urbana vem desde o tempo da ocupação colonial em Moçambique. Portanto, ela não é de hoje. Existe há mais de 100 anos e é praticada nas nossas cidades mas com finalidades diferentes. Se antes da independência o moçambicano produzia para o suplemento alimentar das famílias do senhorio, falo do colono, seus patrões, depois da independência, o mesmo moçambicano passou a produzir para a suaprópria subsistência. Actualmente, cerca de 14 mil famílias da Cidade de Maputo têm a Agricultura Urbana como a sua principal fonte de renda e emprego para alimentar cerca de 3 milhões de pessoas que circulam na capital, entre residentes e visitantes do mundo inteiro.

BI - O que é necessário para se ter uma Agricultura Urbana Sustentável?

AL - Bom, para se ter uma agricultura urbana sustentável é preciso que se desenvolvamprojetos semelhantes ao “Plano da Agricultura Urbana - PAU”. Este é um instrumento elaborado de forma participativa pelos diferentes atores, em que se definir, de forma estratégica, onde pretende chegar e de forma operacional, onde se vai agir conforme os segmentos da cadeia de valor.

BF - Como está o processo de certificação de produtos envolvendo a ABIODES?

AL - Olhando pela forma como o processo se tem desenvolvido, penso que está num bom caminho. Estamos em fase de consolidação e expansão do seu uso para outras cidades como é o caso de Nampula. Os sinais que nos chegam são bastante encorajadores e acreditamos que passos importantes poderão ser dados a curto-médio e longo prazo. Salientar que, durante a sua implementação, tem se procurado adaptar o processo de certificação aos contextos locais e dinâmicas existentes.

BF - Como isto se processa?

AL -O sistema privilegia visitas de verificação do cumprimento das normas agro-ecológicas que é feito em 3 níveis. O primeiro que é o de visitas de pares, em que os produtores se incentivam na melhoria da aplicação de práticas agro-ecológicas, através de visitas que fazem entre si. No segundo nível, há visitas de verificação, onde uma comissão constituída por agricultores, instituições públicas, privadas, ONG´s do sector agrícola, consumidores e outros realizam visitas aos agricultores para, igualmente, verificar o nível de cumprimento das normas agro-ecológicas e, no final, emite-se um relatório com o parecer e por fim a comissão de ética, órgão que gere o sistema, emite certificados de conformidade e autoriza o uso do selo orgânico.

BF–A problemática da salinidade dos solos é um grande entrave ao rendimento da produção agrícola, no nosso país. A ABIODES está envolvida em intervenções importantes com vista ao combate a este problema. Quais são, afinal, os benefícios de combater a salinidade dos solos?

AL (Acena positivamente com a cabaça) –Sim, o que diz é mesmo verdade. Temos muita terra arável por este país afora. Mas preocupa-nos que ainda haja casos de terra com níveis de salinidade muito altos. Aliás, é importante sublinharque a salinização é um dos principais motores da degradação da terra a nível mundial, com consequências devastadoras para a produção agrícola e o funcionamento dos ecossistemas.E há números que mostram isso. Por exemplo, estima-se que existam cerca de mil milhões de hectares de terra afectada por este mal em todo mundo, o que deixa bem claro que o seu combate é de suma importância. Agora, respondendo a sua questão: olha, osbenefícios do combate a salinidade são vários, entre eles a preservação da produtividade e consequentemente a garantia da continuidade da prática agrícola, renda e emprego para as famílias que, no dia-a-dia, dependem da terra; mas também há as restaurações das propriedades dos solos. O facto é que, muitas vezes, os agricultores, vendo-se em meio a solos salinos, optam por abandonar ou mudar. Então, a dessalinização vem mostrar que é possível aproveitar todo e qualquer tipo de terra reduzindo assim a ociosidade.

BF - Qual é o feedback que se tem dos produtores em relação às várias intervenções da ABIODES?

AL -Ofeedbacké positivo. Muitos produtores que se beneficiaram das nossas formações em Agricultura Sustentável relatam que a sua produtividade e renda melhoraram imenso, nos últimos tempos. Isso é visível mesmo quando fazemos o nosso trabalho de monitoria de rotina para averiguar o estágio dos vários projectos nos quais estamos envolvidos. É mesmo um feedback satisfatório.

BF - Este ano, a pandemia da COVID 19 teve momentos de pico muito sérios. Que impacto isso trouxe para a actuação da ABIODES?

(AL) –Primeiro é preciso recordar que este problema não afectou só a ABIODES. É um problema geral de todos, em todo o mundo. Vários sectores de actividade se ressentiram do problema, com efeitos nefastos que se caracterizam pela queda de produtividade. A actividade agrária, nosso campo de actuação, não ficou alheia a este problema. Mas note que a agricultura é a base de sustento e desenvolvimento. Então, a produção nunca parou como em outros sectores. Dentro das limitações impostas, sempre estivemos no terreno para assistir aos agricultores, que nunca deixaram de produzir. Agora, institucionalmente a coisa já é diferente. A ABIODES vem se adaptando a nova realidade de restrições impostas pela pandemia de COVID-19, procurando, no decurso das suas actividades, seguir as medidas emanadas nos decretos anunciados para a contenção do novo Coronavírus. Por exemplo, com os beneficiários e parceiros, a ABIODES procurou manter encontros obedecendo aos limites recomendados. Também disponibilizamos água e sabão/detergente ou álcool em gel para que todos pudessem desinfectar as mãos e instituímos o uso obrigatório da máscara nas nossas instalações e nos locais onde mantivemos encontros.A nível dos colaboradores foram reforçadas as medidas de prevenção, partilhando e esclarecendo os decretos Presidenciais sobre o Estado de Emergência e, depois, de Calamidade Pública. Por outro lado, adoptamos um modelo de trabalho de rotatividade privilegiando os meios digitais para trabalhos em formato virtual.

(BF) - Para o resto do ano, o que está previsto?

(AL) -Para o próximo período, está programada a partilha de resultados das auscultações feitas para uma preparação do Plano da Agricultura Urbana, a continuidade do fortalecimento do desenvolvimento da agroecologia através da intervenção para aumento da adoção desta prática. Por outro lado, queremos continuar a apoiar tecnicamente e reforçar em competências as associações agro-pecuárias que operam nas cidades de Maputo e Nampula para além de fortalecer as iniciativas juvenis de geração de renda no agro-adaptiopelo menos aqui na capital do país.

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